O BAP (Best Aquaculture Practices) traduzindo, Boas Práticas de Aquicultura é um dos sistemas de certificação que garante a sustentabilidade dos produtos da aquicultura.

Criada e administrada pela Global Aquaculture Alliance (GAA), esse programa de certificação de aquicultura de terceiros está entre as três principais do mundo, sendo a única certificação acreditada juntamente pelo Global Food Safety Initiative (GFSI), Global Social Compliance Programme (GSCP) e Global Sustainable Seafood Initiative (GSSI). Ela abrange vários aspectos e apesar de ainda pouco conhecida no Brasil, é uma das exigências para entrada em muitos países importadores, principalmente EUA.

O programa BAP cobre toda a cadeia de produção da aquicultura – plantas de processamento, incubatórios, fazendas e fábricas de ração.

Em março deste ano a unidade frigorífica da Mcassab localizada em Rifaina-SP recebeu a certificação e passa a figurar no seleto grupo de unidades certificadas para tilápia no mundo.

São 33 países que possuem instalações certificadas pelo programa, 197 dessas instalações oferecem produtos BAP de quatro estrelas, o que significa que o produto é originário de uma planta de processamento, fazenda, alevinagem e fábrica de ração todas certificadas pela BAP. No Brasil, apenas 3 frigoríficos são certificados, entre eles, a Fider Pescados em Rifaina/SP!

O gerente de produção Arley Holzbach esteve em todas as etapas das auditorias recebidas pela empresa. Ele destaque o papel fundamental de todos colaboradores, especialmente, os da área de qualidade. Para ele, a certificação BAP é um passo importante para a profissionalização e melhoria da aquicultura no Brasil.

Sobre as expectativas futuras da empresa, revelou que estão investindo no aumento da produção de tilápias e em uma fábrica de farinha e óleo de peixes.

Para o gerente da unidade da Mcassab, Juliano Kubitza, o selo também trará uma série de benefícios, incluindo mais clientes à empresa, uma vez que já há uma tendência de procura por produtos certificados nas grandes redes do Brasil, além da demanda por filés para os EUA que em breve passará a ser destino dos produtos gerados em Rifaina. “Uma vez com a certificação internacional, a Fider passa a reter de maneira ainda mais forte os clientes já fidelizados pela qualidade de seus produtos e também entra de vez no radar de todos aqueles que buscam excelência na produção e nos produtos.”

Kubitza diz que há uma tendência de se acreditar que a certificação só é necessária para a empresa que exporta, mas para ele entre as vantagens oferecidas pelo selo como o controle do processo de gestão é visto como a mais significativa. “O mais importante é que, após iniciada a aplicação da norma BAP ela passa a fazer parte da rotina da empresa, trazendo benefícios não apenas para o produto mas também para todos os envolvidos no processo produtivo. O produto de excelência entregue ao cliente é apenas a etapa final de um processo altamente monitorado e controlado em todos os seus aspectos”, declarou.

Hoje em dia os grandes compradores internacionais de pescado são pressionados pelos clientes para que se determine com clareza a origem do pescado, se vem de uma área com impacto ambiental muito grande ou até se há o uso de produtos tóxicos ou de produtos proibidos pelos riscos que podem causar à saúde humana, etc. Essas demandas cresceram muito na última década fazendo aumentar a procura por certificações.

Kubitza explicou que o selo categoriza as companhias por estrelas e pode ser realizada em várias frentes de operações: “A primeira estrela é obtida pelo frigorífico; a segunda a fazenda de cultivo; uma terceira é conquistada pelo laboratório de formas jovens e a quarta estrela vai para a fábrica que fornece alimento para aquele organismo aquático.” 

A estrela conquistada pela Mcassab corresponde à planta frigorífica e é apenas o primeiro passo. “buscaremos sempre entregar ao nosso cliente o que ele pode encontrar de mais seguro, saudável e sustentável, além de preço justo. Com isso, a certificação da fábrica é apenas o primeiro passo e caminharemos forte para que o céu da Mcassab tenha, num futuro próximo, as quatro estrelas. Sabemos que, cada vez mais, um bom comprador não procura apenas tilápia, ele quer segurança inclusive sobre o bem estar dos peixes que foram utilizados no processo”.   

Frigorifico Fider Pescados | Grupo Mcassab | foto Ernani Baraldi

“A BAP não certifica a espécie, mas o processo”, frisou. Ele disse ainda que a adesão é voluntária, a empresa recebe um questionário e há um período para adequar os processos e registros às normas do BAP.

O processo de auditoria se divide na etapa documental e em visitas físicas às instalações do estabelecimento. De acordo com ele, baseia-se em quatro pilares: segurança alimentar; segurança ambiental; bem estar animal; e as condições trabalhistas e sociais da organização.

A conquista

O Gerente de Unidade da Mcassab, comentou ainda, que “A certificação BAP valoriza ainda mais o trabalho da empresa inclusive com possibilidades reais de exportação nos próximos meses”, destacou.

Segundo Kubitza, validações como essas têm impactos positivos no setor, já que influenciam no nível de confiança dos produtos e pescado brasileiro no exterior. A conquista BAP pela Mcassab faz dela o terceiro frigorífico com essa validação no País,

O gerente também espera que o feito possa servir de estímulo para as demais concorrentes. “Fizemos isso não só para sermos reconhecidos, queremos que cada vez mais empresas do setor estejam ajustadas a um novo patamar de qualidade. Isso vai fazer do Brasil um dos players mais importantes do mundo na tilápia.”

O país ocupa hoje a quarta colocação na produção mundial e ainda possui exportações pouco significativas quando comparadas ao mercado interno, que já se tornou um grande consumidor de tilápias. Apesar disso, reúne condições favoráveis para figurar entre o terceiro ou mesmo segundo maior produtor do mundo em mais 10 anos. “O desafio é grande, temos que fazer mais com menos. Buscar produtividade e qualidade mantendo uma evolução constante em relação aos padrões dos produtos. Só assim, iremos avançar em termos de consumo doméstico e exportação,” declarou.