O jogo Pokémon Go (aquele de realidade aumentada em que as pessoas saem pelas ruas buscando Pokémons – e, quanto mais raros, mais pontos ganham) mostra que a observação de raridades é um dos grandes hobbies do ser humano.

No game, os bichos não existem “de verdade”: fazem parte do escopo de um desenho animado muito popular da cultura japonesa. Mas, na vida real, pessoas viajam para todos os lugares do mundo para observar coisas que só existem, especificamente, naquele lugar.

E, nessa toada, surge uma tendência turística que promete gerar descobertas aos viajantes e oportunidades para quem souber aproveitar o mote. Estamos falando do birdwatching, ou observação de aves, um hobby que tem se popularizado muito e que pode trazer ao Brasil turistas, movimento e, claro, dinheiro.

“Observação de aves” é, mesmo, um estilo de turismo?

Se você torce o nariz e acha esquisito ter alguém gastando dinheiro “só” para observar pássaros, mude já seu conceito: o que antes era uma atividade despretensiosa das férias virou motivo de viagens exclusivas.

Muitos grupos procuram por destinos onde possam fazer o birdwatching por diversos motivos: estar em contato com a natureza, descobrir algo raro, relaxar ou ver belezas que não se encontram em nenhum outro lugar do planeta estão entre as razões que fazem alguém viajar para “assistir” passarinhos.

Já existem empresas se especializando em roteiros para esse tipo de viagem. No Brasil, são mais de 50 destinos de ecoturismo que promovem a observação de pássaros como um adicional de pacote. Afinal, esse é um ramo que atrai gente de todo canto do mundo. Se uma ave só existe no sul do país, por exemplo, um observador do Canadá pode vir registrar a espécie e incluir as memórias em sua coleção.

Em se tratando de fauna exótica, o Brasil está entre um dos primeiros países do mundo onde a observação exploratória é uma oportunidade incipiente de negócios. É aqui que turistas podem ver modelos como o pica pau bufador, o beija-flor-de-gravata vermelha e outros exemplares de aproximadamente 1900 espécies de pássaros.

Isso, claro, sem contar as variedades de aves que só existem por aqui, e que os amantes da natureza estão loucos para ver de perto.

Como é um roteiro de observação de pássaros?

Observar pássaros é uma atividade tão quieta e cuidadosa quanto uma pescaria. Os animais devem sentir o mínimo da presença humana para poder desfrutar de seu habitat natural e, assim, acabar gerando, involuntariamente, as melhores imagens a seus observadores.

Portanto, para fazer um roteiro de observação de pássaros, é preciso contar com trilhas exclusivas, onde as pessoas poderão se embrenhar em matas e florestas para tirar melhor proveito da experiência (sem se perder, é claro), e binóculos, que são a principal ferramenta dos observadores.

Para que fotografias possam ser feitas, as máquinas não podem ter obturadores muito barulhentos, já que qualquer som estranho pode espantar as aves. Câmeras digitais são bem vindas, mas nem sempre garantem a melhor imagem em questão de cor e proximidade, então é bem provável que os observadores queiram registrar a experiência mais com os olhos do que com as fotos.

Para que os grupos consigam cumprir o objetivo da observação, as roupas utilizadas devem ter cores discretas, de preferencia camuflando-se com o ambiente estudado. Evitar movimentos bruscos é crucial, e ter um guia de aves por perto é um ponto positivo para quem quer gerar receita com esse tipo de turismo.

Se você tem uma agência, ou se sua cidade faz parte do portfólio ecoturístico do Brasil, veja se é possível montar um roteiro para observação de aves. Com certeza haverá público para a sua empreitada.

Sobre o Programa Aves de Rifaina

Idealizado pelo Biólogo Felipe Baraldi tem incentivo da Prefeitura de Rifaina, através do departamento de meio ambiente. O programa conta com o apoio institucional do IBAMA – Ribeirão Preto/SP e com vários parceiros que contribuem de diversas formas.